A Pirâmide Vermelha – Rick Riordan

Faz algum tempo que eu li esse livro, mas lembrei que tinha pensando em resenhá-lo. E já que, em véspera de prova, toda procrastinação é pouca, resolvi escrever alguns posts para publicar eventualmente (mais frequentemente que eventualmente, mas fica assim mesmo).

A Pirâmide Vermelha é um livro que lembra em parte a série Percy Jackson – afinal, estamos falando do mesmo autor. Mas não é só isso. Enquanto que em Percy Jackson vemos toda uma adaptação da mitologia grega para o mundo moderno, na série As crônicas dos Kane o foco está na mitologia egípcia e sua presença o mundo atual. Ou seja, mitologia para todos os lados!

Na obra “A Pirâmide Vermelha”, os irmãos Carter e Sadie Kane vivem separados desde a morte da mãe. Sadie é criada em Londres pelos avôs e Carter viaja o mundo como o pai, o Dr.Julius Kane, um famoso egiptologista. Levados pelo pai ao Bristish Museum, os irmãos descobrem que os deuses do Egito estão despertando. Para piorar, Set, o deus mais cruel, tem vigiado os Kane. A fim de detê-lo, os irmãos embarcam em uma perigosa jornada em busca que revelará a verdade sobre sua família e sua ligação com uma ordem secreta do tempo dos faraós.

Esse negócio de mostrar, trabalhar mitologia antiga nos tempos atuais em um livro voltado completamente para crianças/adolescentes – ou pelo menos essa é a ideia que eu tenho dos livros, não que eu, com meus vinte e tantos anos, me enquadre nessa categoria – é uma coisa que me conquistou desde o momento em que eu li a sinopse de O Ladrão de Raios. Porque, dentre as coisas que eu mais amo sobre história, além da idade medieval, está a idade antiga e todas as civilizações que viveram durante esse período. Eu lembro que eu tentei ler alguns livros do gênero – não tão do gênero assim, uma vez que era um romance que se passava no Egito de anos e anos atrás -, mas nitidamente voltado para adultos, quando eu tinha entre 12 e 14 anos e, apesar de eu não ter conseguido ler no prazo que a biblioteca me deu, eu nunca deixei de lembrar o quanto eu gostei da ideia.

Então quando eu peguei o livro para ler, apesar da minha desconfiança porque a pessoa que me emprestou afirmava categoricamente que o livro era melhor que Percy Jackson, eu fui contente por estar lendo algo com essa ideia de novo. E digo que não me decepcionei. É claro, teve um detalhe básico que me impediu de gostar do livro tanto quanto eu gostaria, mas, depois que você se acostuma com isso – se você se acostumar – vai estar tudo bem.

De modo geral, a história é boa. Apesar de ter elementos conhecidos dos leitores do Rick Riordan – crianças que descobrem um novo mundo mágico por trás de tudo o que conhecemos e o lance com segredos sobre eles mesmos dos quais eles foram protegidos até determinado acontecimento quando se percebe o quão impossível é continuar escondendo a verdade, e tudo o mais -, o fato de ser uma mitologia diferente, ambientação diferente e um enfoque diferente, torna esses detalhes ignoráveis. O modo como os acontecimentos vinham um após o outro também foi algo que contribuiu para a velocidade com que eu li o livro – eu terminei ele em dois dias, no máximo – e minha imersão na história. Foi uma leitura agradável, até certo ponto leve, porque não é possível ser leve quando se está correndo contra o tempo para se combater um vilão-deus-antigo, mas com aventuras o suficiente para que eu pudesse esquecer da internet e lê-lo avidamente.

O que eu não gostei, na verdade é uma faca de dois gumes. Porque é uma coisa interessante ler narrações em primeira pessoa alternadas – o Carter narra dois capítulos, a Sadie narra dois capítulos e então o Carer volta a narrar dois capítulos para a Sadie narrar mais dois em seguida e assim sucessivamente. Um dos meus livros preferidos da época em que eu ainda era uma rata de biblioteca sem saber que o era (sim, na minha famosa época entre 12 e 14 anos) foi justamente um livro meio que de comédia romântica com narrações de pontos de vista alternados. Mas acho que, como o Carter e a Sadie são adolescentes que têm mais ou menos a mesma idade, a coisa ficou um pouco confusa pra mim. Havia capítulos em que era a Sadie narrando, mas eu pensava que era o Carter – e isso foi uma coisa que me perseguiu até o segundo livro da série, eu fazendo essas confusões. Foi justamente esse detalhe que me fez acreditar por alguns minutos que o Carter estava apaixonado por um deus, enquanto era a Sadie que estava pensando sobre o “dito cujo”.

Talvez isso também tenha acontecido pelo fato de que eu estava mais preocupada em saber o que aconteceria a seguir em vez de ter uma leitura moderada.

De qualquer jeito, é um livro que eu recomendo aos que se interessarem pelos livros do Rick, ou por mitologia antiga, ou mesmo se só não se sabe exatamente o que ler a seguir. O fato de ter passagens que são engraçadas, além de que o Carter e a Sadie acabam se intrometendo na narração do outro e têm típicas brigas entre irmãos (ou tão típicas quanto dois irmãos como eles podem ter) são mais ótimos motivos. E, claro, as narrações feitas em primeira pessoa sempre dão vazão a um estilo mais descontraído de contar o que os dois tiveram que viver e fazer, com expressões, gírias e comparações que me fizeram soltar risadas que, como sempre, fizeram meus pais pensarem que eu tenho algum problema mental.

E se é para dar uma nota: Quatro sarcófagos de cinco (não resisti xD).

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Um pensamento sobre “A Pirâmide Vermelha – Rick Riordan

  1. Vinte e tantos? Vish, agora me sinto inadequado em comentar no seu blog. Perdoe minha juventude.

    Certo, certo. Mas ao livro:

    Basicamente, eu tenho cisma com livros infanto-juvenis. E o Rick Riordan e a Rowling estão no alvo da minha mira. O caso é, sem querer tirar o mérito das ideias — Que são fantásticas, digo literalmente, mundos fantásticos —, eu acho uma leitura meio frívola.

    Um livro com conteúdo literário bem precoce, uma trama curta e explícita, sem a necessidade de grandes explicações, e uma narração pessoal, que te joga um monte de acontecimentos continuamente.

    A exploração de mundos antigos, e a adaptação deles ao atual. Sim, é interessante, mas é feito de modo tão simplório. Os romances colocados, são sempre tão superficiais, e personalidades, em minha opinião, tão generalizadas. Tão, tão, tão, e ao mesmo tempo, nada.

    Essa é minha visão. Rowling escapa disso, tem mais inovação, mais beleza, sagacidade, dá espaço em sua escrita, mesmo tendo ritmo rápido. Já Rick Riordan, não. Ele tem escrita rápida, que para mim deixa algumas falhas, expressa beleza, até que sim. Não obstante, essa beleza vem da mitologia, que ele só readaptou; colocando muitas vezes elementos mais infantis, para gerar uma risada meio automatica, de animação americana.

    E a parte que me é mais importante. A exploração humana em si. Em todos os livros nesse contexto, é bem polarizado. O bem e o mal, sem a miscigenação que é o real. Em Harry Potter, ainda tem o Snape que é um agente múltiplo, mas nos de Rick Riordan, não há isso. É mau, e já era. Mudando totalmente o fluxo, se você leu a trilogia Millenium, vai entender perfeitamente o que digo.

    De qualquer forma, gostei da resenha, só achei injusta pela falta de ênfase à infantilidade presente na série.

    Atenciosamente:
    Weslley Ericles.

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