A Pirâmide Vermelha – Rick Riordan

Faz algum tempo que eu li esse livro, mas lembrei que tinha pensando em resenhá-lo. E já que, em véspera de prova, toda procrastinação é pouca, resolvi escrever alguns posts para publicar eventualmente (mais frequentemente que eventualmente, mas fica assim mesmo).

A Pirâmide Vermelha é um livro que lembra em parte a série Percy Jackson – afinal, estamos falando do mesmo autor. Mas não é só isso. Enquanto que em Percy Jackson vemos toda uma adaptação da mitologia grega para o mundo moderno, na série As crônicas dos Kane o foco está na mitologia egípcia e sua presença o mundo atual. Ou seja, mitologia para todos os lados!

Na obra “A Pirâmide Vermelha”, os irmãos Carter e Sadie Kane vivem separados desde a morte da mãe. Sadie é criada em Londres pelos avôs e Carter viaja o mundo como o pai, o Dr.Julius Kane, um famoso egiptologista. Levados pelo pai ao Bristish Museum, os irmãos descobrem que os deuses do Egito estão despertando. Para piorar, Set, o deus mais cruel, tem vigiado os Kane. A fim de detê-lo, os irmãos embarcam em uma perigosa jornada em busca que revelará a verdade sobre sua família e sua ligação com uma ordem secreta do tempo dos faraós.

Esse negócio de mostrar, trabalhar mitologia antiga nos tempos atuais em um livro voltado completamente para crianças/adolescentes – ou pelo menos essa é a ideia que eu tenho dos livros, não que eu, com meus vinte e tantos anos, me enquadre nessa categoria – é uma coisa que me conquistou desde o momento em que eu li a sinopse de O Ladrão de Raios. Porque, dentre as coisas que eu mais amo sobre história, além da idade medieval, está a idade antiga e todas as civilizações que viveram durante esse período. Eu lembro que eu tentei ler alguns livros do gênero – não tão do gênero assim, uma vez que era um romance que se passava no Egito de anos e anos atrás -, mas nitidamente voltado para adultos, quando eu tinha entre 12 e 14 anos e, apesar de eu não ter conseguido ler no prazo que a biblioteca me deu, eu nunca deixei de lembrar o quanto eu gostei da ideia.

Então quando eu peguei o livro para ler, apesar da minha desconfiança porque a pessoa que me emprestou afirmava categoricamente que o livro era melhor que Percy Jackson, eu fui contente por estar lendo algo com essa ideia de novo. E digo que não me decepcionei. É claro, teve um detalhe básico que me impediu de gostar do livro tanto quanto eu gostaria, mas, depois que você se acostuma com isso – se você se acostumar – vai estar tudo bem.

De modo geral, a história é boa. Apesar de ter elementos conhecidos dos leitores do Rick Riordan – crianças que descobrem um novo mundo mágico por trás de tudo o que conhecemos e o lance com segredos sobre eles mesmos dos quais eles foram protegidos até determinado acontecimento quando se percebe o quão impossível é continuar escondendo a verdade, e tudo o mais -, o fato de ser uma mitologia diferente, ambientação diferente e um enfoque diferente, torna esses detalhes ignoráveis. O modo como os acontecimentos vinham um após o outro também foi algo que contribuiu para a velocidade com que eu li o livro – eu terminei ele em dois dias, no máximo – e minha imersão na história. Foi uma leitura agradável, até certo ponto leve, porque não é possível ser leve quando se está correndo contra o tempo para se combater um vilão-deus-antigo, mas com aventuras o suficiente para que eu pudesse esquecer da internet e lê-lo avidamente.

O que eu não gostei, na verdade é uma faca de dois gumes. Porque é uma coisa interessante ler narrações em primeira pessoa alternadas – o Carter narra dois capítulos, a Sadie narra dois capítulos e então o Carer volta a narrar dois capítulos para a Sadie narrar mais dois em seguida e assim sucessivamente. Um dos meus livros preferidos da época em que eu ainda era uma rata de biblioteca sem saber que o era (sim, na minha famosa época entre 12 e 14 anos) foi justamente um livro meio que de comédia romântica com narrações de pontos de vista alternados. Mas acho que, como o Carter e a Sadie são adolescentes que têm mais ou menos a mesma idade, a coisa ficou um pouco confusa pra mim. Havia capítulos em que era a Sadie narrando, mas eu pensava que era o Carter – e isso foi uma coisa que me perseguiu até o segundo livro da série, eu fazendo essas confusões. Foi justamente esse detalhe que me fez acreditar por alguns minutos que o Carter estava apaixonado por um deus, enquanto era a Sadie que estava pensando sobre o “dito cujo”.

Talvez isso também tenha acontecido pelo fato de que eu estava mais preocupada em saber o que aconteceria a seguir em vez de ter uma leitura moderada.

De qualquer jeito, é um livro que eu recomendo aos que se interessarem pelos livros do Rick, ou por mitologia antiga, ou mesmo se só não se sabe exatamente o que ler a seguir. O fato de ter passagens que são engraçadas, além de que o Carter e a Sadie acabam se intrometendo na narração do outro e têm típicas brigas entre irmãos (ou tão típicas quanto dois irmãos como eles podem ter) são mais ótimos motivos. E, claro, as narrações feitas em primeira pessoa sempre dão vazão a um estilo mais descontraído de contar o que os dois tiveram que viver e fazer, com expressões, gírias e comparações que me fizeram soltar risadas que, como sempre, fizeram meus pais pensarem que eu tenho algum problema mental.

E se é para dar uma nota: Quatro sarcófagos de cinco (não resisti xD).

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Exaustivo e épico: A Guerra dos Tronos

Aproveitando que a Lara pediu que eu emprestasse meu livro “A Guerra dos Tronos” para ela, decidi que vou escrever uma resenha pra ver se ela consegue terminar de ler o livro – embora aparentemente ela não precise de qualquer incentivo. Isso tudo porque eu não queria que o buraco na minha estante permanecesse por muito tempo, sabe como é – e eu sei que ela entende esse sentimento… Que é uma coisa importante, veja bem, eu poderia estar falando de qualquer um dos livros que eu já li esse ano, mas vou falar de um que eu lembro em partes apenas com este propósito especial –q.

Então. Guerra dos Tronos é realmente bom. Epicamente bom. No entanto – e estou sendo sincera quando o digo – é um livro sacal. Você deve estar pensando como paradoxalmente essas duas qualidades existem no mesmo livro, mãs [!] é necessário um raciocínio simples para entender isso.

A Guerra dos Tronos é um livro de fantasia medieval que se passa em uma terra fictícia chamada Westeros e a história basicamente começa quando Eddard Stark, senhor de Winterfell, recebe a visita de Robert Baratheon, seu amigo e Rei dos sete reinos. Essa visita, além de permitir que os dois se reencontrem após um longo tempo, tem por objetivo um convite – Robert quer que Stark seja sua Mão (Mão do Rei), um cargo que possui funções semelhantes a de um conselheiro, embora exista um conselho nos sete reinos – nessa época do reinado do Rei Robert, dizem nos Sete Reinos que a Mão do Rei é quem governa, na verdade. E quando Eddard, vulgo Ned, aceita esse convite – influenciado pela suspeita de que algo podre estava acontecendo no reino -, ele mal sabe onde está se metendo.

É um livro chato, porque você demora pra ler. A fonte é pequena, as páginas são enormes, uma quantidade sem fim de páginas (imagina quando o terceiro da série chegar, com suas oitocentas-e-não-sei-quantas páginas) e é uma série que é densa, de modo que não pode ser contada em poucas páginas, não mesmo! Tem uma infinidade de personagens que eu não consigo lembrar com facilidade, muitos lugares que eu tive dificuldade pra aprender também… No início você não sente qualquer ânimo e a vontade que você sente é de largar mesmo. Pronto falei.

Eu levei em torno de seis meses entre estudos, provas, Guerra dos Tronos, animes, outros livros com uma fluidez melhor, provas e momentos vagantes na internet pra conseguir terminar de ler o primeiro livro. Foi uma saga meio cruel.

MAS – e esse mas precisa estar em letras maiúscuas – a leitura valeu a pena, não sei. Depois de determinado momento você se acostuma, se apega, se interessa, torce, reclama dos personagens, não mais da leitura em si – e tenho a impressão de que isso acontece quando se passa a ter um pouco mais de ação. Até chegar nesse momento em que você se empolga, tem que ser forte pra suportar o início cansativo – e eu sei que você vai conseguir fazer isso pacientemente se gostar de livros do gênero, talvez você não passe pela experiência de achar o livro chato, nunca se sabe.

Tudo bem que mesmo depois que eu me empolguei eu demorava três horas pra ler oitenta páginas, mas o ritmo depois melhora. Entre malas pra arrumar pro carnaval, saídas repentinas pra resolver alguns problemas, manicure caseira e a viagem em si, eu consegui ler em torno de oitenta páginas do segundo livro em um dia – tudo bem que eu me esqueci de colocar na mala coisas importantes, mas relevem. E em seis dias o dito cujo tinha sido completamente devorado. Acho que o tédio que foi o meu carnaval explica isso.

Pontos que eu acho positivos na série são: o fato de ser um universo completamente diferente do nosso, com personagens que são ao seu modo incríveis – okay, nem todos, existem muitos que são chatos como uma tarde escaldante sem nada útil para se fazer -, com momentos épicos, frases dignas de citação – não que eu lembre alguma agora além de “O inverno está chegando” -, intrigas, assassinatos a serem desvendados, segredos a serem protegidos, momentos indignantes e momentos em que você realmente lamenta. Além disso, o fato de cada capítulo ser narrado em terceira pessoa, mas sob a perspectiva de um personagem (que está indicado como se fosse o número do capítulo) torna o livro algo diferente e interessante.

Pontos negativos… eu diria que a fonte da letra, o início desestimulante e coisas que eu já mencionei, lugares demais, pessoas demais, além de uma dura lição que George Martin faz questão de ressaltar – algo que todos sabemos, de fato.

Aliás, Martin faz questão de ser bem realista em sua história, nas batalhas ou na vida cotidiana, não importa, ele mostra as coisas como as coisas são. Um livro de fantasia para adultos – é como ele define o livro.

Para aqueles interessados – ou não – tem também a série da HBO – okay, que todo mundo já deve ter ouvido pelo menos alguém falar – e que, sim, é uma excelente adaptação – e digo isso mesmo tendo visto só dois episódios. Alguns atores são diferentes do que eu imaginei, sim, existem coisas a serem criticadas, sim e muitas, mas longe de desagradar tanto quanto outras adaptações por aí. Creio que existe alteração de algumas coisas com relação ao livro, deve ter uma ou outra coisa que desapareceu, e uma ou outra coisa a mais (ou não tão a mais assim, não é, Loras e Renly? – porque pra mim eles dois são canon, ponto), mas acho que é uma interessante perda de tempo da vida.

Se eu tivesse que dar uma nota de zero a cinco para o livro: Cinco lobos gigantes.

Comics x Mangás

Esse é um post que eu venho planejando há séculos. Há mais ou menos um ano, para ser sincera. Porque eu lembro que estava em um evento em que eu deveria prestar atenção nas palestras e, em vez disso, eu estava lendo mangás – em sua maioria. Quando peguei uma história em quadrinho para ler, na mesma ocasião, acabei tentando ler “de trás para frente”, no modo oriental. E isso me traz ao post de hoje.

Primeiro de tudo, corrijam-me se eu tiver falado alguma besteira, não é como se eu fosse a especialista em HQs, apesar de ter os meus guardados por aqui…

Existem muitas diferenças entre um desses tipos de história em quadrinho e o outro. E existem fãs de cada um deles. Existem fãs de mangá que adoram também comics, do mesmo modo que existem fãs de mangás que as detestam e não as leem. Igualmente acontece com fãs de comics que podem odiar os mangás ou simplesmente aceitá-los e lê-los sem qualquer problema.

Existem algumas divergências e muitas vezes podem acontecer até discussões para saber qual dos dois é melhor. Não que eu queira agora bancar a juíza e resolver conflitos entre fãs (porque, enfim, fã é fã e muitos – os casos mais graves – só querem ver o lado bom do que gosta e procurar defeitos nas outras coisas).

Cada um desses tipos de histórias em quadrinhos tem suas características próprias e podem até ter suas vantagens e desvantagens, dependendo do ponto de vista pelo qual se observa, mas no fim das contas não há um que seja efetivamente melhor que o outro, porque, se você parar para pensar, as histórias em quadrinhos são reflexos da cultura dos países onde se originaram e, como eu estou cansada de ouvir da época em que eu fazia cursinho para vestibular (e também na época da escola) cultura não se valora. Não há uma cultura que seja superior a outra.

Por exemplo, é perceptível em comics traços diferentes, além das cores e a forma como a história é contada, e eu não me refiro apenas ao modo de leitura, mas também ao fato de que as palavras são bem importantes em comics. Se alguém pensa em alguma coisa, ou algo o preocupa, além do close no rosto preocupado da personagem, existe uma grande probabilidade de haver uma transcrição dos pensamentos em palavras, o que já é mais difícil em mangás, uma vez que eles normalmente usam mais imagens que balões – exceto em alguns casos, como Death Note.

Nos mangás vemos os famosos “olhões”, que na verdade são utilizados para que haja um melhor desenvolvimento das expressões faciais e os sentimentos que se pode expressar através deles. E um uso menor de pensamentos (mas Fruits Basket vem mostrando que nem sempre as coisas são assim).

Quanto a história e enredo é aí que a coisa complica, pelo menos no meu ponto de vista. Primeiro pelo fato de que, por mais que existam mangás enormes e que você duvida que um dia eles vão acabar… Parece mais fácil de perceber onde é o começo e onde é o meio e acompanhar tudo direitinho. Nas comics eu não consigo perceber isso com tanta frequência, porque existem vários e vários arcos e às vezes a revista número um é bem antiga e pode parecer uma confusão sem tamanho (e acredito que muitos otakus que não gostam de quadrinhos pensam assim).

Mas, claro, isso não é uma constante, já que em comics como Kick Ass ou Scott Pilgrim você pode ver a história linearmente e sem muitos problemas, ou no caso de Fábulas em que aparentemente as edições são novas e você pode encontrar o número um para download se procurar um pouco (e para comprar também, embora eu ache difícil… e parece que a Panini vai/está publicando, não sei ao certo ainda) e são poucas edições, diferentemente das HQs da DC e da Marvel – que com certeza são muitas.

Uma coisa que eu acho importante notar é que existem mangás voltados para o público feminino e é bem difícil ver algo assim em comics (embora eu tenha a leve impressão de que isso está mudando um pouco). Acho que principalmente pelo fato de que quem lê comics nos países onde são largamente difundidas e produzidas são homens na maioria. Enquanto no Japão, a compra e a leitura independem de sexo e idade, assim como aqui no Brasil e muitos países ocidentais, por exemplo, existem livros e mais livros voltados para todos os tipos de pessoas e de gostos.

Não que esse detalhe impeça garotas de lerem comics.

Agora, por mais que existam diferenças, quem é que vai poder dizer o que efetivamente, cabalisticamente, empiristicamente é melhor? Aí depende do gosto de cada um e da disponibilidade de tempo e da aceitação da parte visual (e até da disponibilidade de dinheiro também, se duvidar).

E já que falei de diferenças, uma coisa que eu adoro e que está presente tanto em um como em outro tipo de histórias em quadrinhos é a fantasia (ou como diria Bob Esponja: “Imaginação!” – o uso dela, na verdade). E para quem gosta desse gênero de histórias não tem do que reclamar tanto em Comics quanto em Mangás. Na verdade é isso que eu acho importante… Sei lá.

Ah, não depreciar o valor de cada um também é importante, fica a dica.

Bons comics e que não são tão complicados de acompanhar e encontrar são, em minha opinião, Fábulas, Sandman, Maus, V de vingança, Kick Ass… E devem existir outros muito bons e que eu não conheço ainda.

Bons mangás, em minha opinião mais uma vez: One Pice, Fairy Tail, Hunter x Hunter (os três são enormes e podem ser lidos online), Yu Yu Hakusho, Hellsing , Otomen, Paradise Kiss, Ouran High School Host Club, Meru Puri, Basilisk Kouga Ninpou Chou… A questão maior é só encontrar aquele que se adéqua mais ao seu gênero preferido (shoujo, shounen, josei, seinen, shounen-ai e outros).

É isso.

O Andarilho

Título Nacional: O Andarilho
Ano de Lançamento: 2003
Número de Páginas: 461 páginas
Editora: Record
Tradutor: Luiz Carlos Nascimento Silva

Demorei para resenhar esse livro, mas espero que saía uma resenha, no mínimo decente. E também faz tempo que não resenho nada. Enfim.

Eu já fiz a resenha do volume um dessa série do Bernard Conrwell (O Arqueiro) e vou me ater aos fatos e opiniões do segundo volume, O Andarilho. Ou pelo menos assim espero, para evitar spoilers dos dois livros.

Primeiro de tudo, eu devo confessar que comecei a ler o livro bastante apreensiva, pelo fato de que alguns personagens novos – e outros nem tão novos, mas que não tiveram tanto destaque no primeiro volume – começaram a surgir. Então eu pensei que talvez já nem fosse ser tão interessante quanto o primeiro.

O que acontece é que quando pegamos uma série para começar a ler, vamos conhecendo todos os personagens praticamente ao mesmo tempo e acabamos, como dizer?, aceitando todo mundo de acordo com aquele contexto que nos é apresentado.

Mas essa série do Bernard Cronwell envolve “só” uma quantidade imensa de situações, lugares e, consequentemente, personagens. É praticamente impossível focar-se apenas nos personagens do volume um quando se tem novas coisas a serem exploradas.

Vou tentar não soltar spoilers a partir de agora, mas acho que talvez seja um pouco difícil, então é bom ter pelo menos uma noção do que acontece no livro um para se continuar lendo essa resenha.

Eis a sinopse:

O ponto de partida é 1346. A Inglaterra invadiu a França, e os escoceses dominaram os ingleses. Nessa época de guerras, somente um objeto, guardado por anjos e procurado pelos demônios poderia dar um fim à guerra: o Santo Graal. Quem estivesse de posse dele, sairia vitorioso da batalha. O arqueiro Thomas Hookham, orfão de pai, deixa a França e parte pra as Ilhas Britânicas em busca do Santo Graal e do assassino de seu pai. Thomas tem um trunfo que o auxiliará em sua procura: antes de morrer, seu pai lhe entregou uma espécie de diário com informações do esconderijo do artefato sagrado.

Bom, o estilo narrativo é o mesmo do seu antecessor (um estilo narrativo digno até dos meus delírios de quando eu estava doente). As batalhas continuam épicas e sangrentas, e, acho que já falei isso antes, mas não custa repetir: acho o modo como Cornwell narra até bem realista, sem muitos floreios desnecessários.

A história vai ficando cada vez mais interessante. Se eu achei o começo do livro chato, juro que não podia dizer o mesmo do meio, que dirá então do seu desfecho. Consegui superar o problema inicial com os personagens novos, porque aos poucos eles foram mostrando a que vieram, principalmente o Padre Inquisidor, Bernard de Taillebourg, que começa parecendo um padre maluco, mas depois se mostra um padre maluco com colhões.

Acho que nesse livro dá pra perceber o amadurecimento do personagem principal. Até mesmo pelo fato de que Cornwell não “passa a mão na cabeça dele” e faz com que tudo sejam flores na vida, porque não é assim que as coisas acontecem (ah, se a vida fosse fácil e bonita…). Acho que até fiquei surpresa com esse fato, já que isso quebra aquela certeza que sempre temos de que tudo acaba bem no final.

Bom, não era o final, mas…

Então é isso. No fim das contas, quando fechei o livro depois de ler a última página, tive certeza de que esse volume não deixava nada a desejar se formos comparar com o anterior.

Agora é só esperar pelo dia em que eu tiver a boa vontade de terminar A Guerra dos Tronos para começar a ler O Herege (que fique avisada, Lara, haha).

O Arqueiro

  • Autor: Bernard Cornwell
  • Páginas: 444
  • Tradutor: Luiz Carlos do Nascimento Silva
  • Editora: Record

Sinopse tirada do Skoob (porque eu sou terrivelmente preguiçosa):

Aos 18 anos apenas, Thomas vê o pai morrer em seus braços após um ataque-surpresa à aldeia de Hookton. Um lugar simples que escondia um grande segredo: a lança usada por São Jorge para matar o dragão, uma das maiores relíquias da cristandade. Em busca de vingança contra um homem conhecido apenas como Arlequim, o rapaz, um arqueiro habilidoso, se junta ao exército inglês em campanha na França, onde se envolve em batalhas e aventuras que, sem perceber, lançam-no na busca do lendário Santo Graal. Com este romance, o autor usa o cenário da Guerra dos Cem Anos para dar início a uma saga empolgante.

Peguei o livro pra ler há um mês, mais ou menos, e fui adiando e adiando o momento de pegar nele até que não me restou alternativa. Eu ainda tinha receio de ler livros do Bernard Cornwell e só superei isso depois de terminar O último reino (que eu resenhei AQUI), mas não sabia o que esperar da leitura, então eu ia enrolando, enquanto isso.

Pois bem. Cheguei ao final do livro hoje e, como eu acho que já estava esperando após O último reino, eu poderia descrevê-lo como épico.

É o início da aventura de Thomas, o primeiro livro de uma trilogia, narrado em terceira pessoa. Eu pensei que o início seria uma coisa chata, mas estava bem enganada, pois o começo já é bem movimentado, de modo que dá pra sentir o “gostinho” da ação logo de cara.

E então daí pra frente é só ação. Ou algo assim, porque as coisas são bem movimentadas para o jovem Thomas, que acaba virando um arqueiro, ao contrário do que o pai queria (que ele fosse padre). E então ele vai servir ao grupo de arqueiros de Will Skeat. O problema maior de alguém que carrega um arco enquanto anda por aí conquistando e saqueando cidades inimigas é que arqueiros são terrivelmente odiados em muitos lugares. Arqueiros não tem seu passado investigado para saberem se valem alguma recompensa (e mesmo que valessem), eles são simplesmente torturado e mortos, então a situação é complicada para um arqueiro e Thomas vai ter que lidar com isso, se quiser continuar fazendo o que gsota.

Passando para outros aspectos do livro, devo dizer que os nomes dos lugares são fáceis de lembrar, ao contrário de muitos outros livros que usam nomes mais complicados. Os nomes dos personagens também são bem simples até. O autor também usa muito de descrições, mas acho que já estou me acostumando com elas, de modo que eu conseguia imaginar perfeitamente todos os lugares (ou talvez não perfeitamente assim, mas vai saber).

As cenas de lutas são muito boas. Estômagos mais sensíveis talvez não gostem do modo como as coisas são retratadas (de um modo bem realista, eu diria), mas foi exatamente o modo um tanto quanto frio [?] de mostrar as coisas que deixaram tudo tão legal, com um clima bem medieval mesmo. Acho (eu costumo viajar quando estou lendo). Mas esse é o estilo do Cornwell, em minha opinião (depois de ler dois livros dele…).

Gostei também muito dos personagens (Thomas ♥). Às vezes parecia que eles eram palpáveis de tão humanos que eram. E acho até que a base histórica que o autor gosta de utilizar tenha favorecido esse aspecto. E o engraçado é que Cornwell escreve tão bem, que muitas vezes já me perguntei se os personagens descritos e seus feitos seriam reais. Para quem gosta de história antiga/medieval/ou-o-que-for acho que vai adorar.

Por outro lado, não tem muito romance, então quem gosta desse gênero e acha que só vai viver de amor talvez não goste.

E a forma como os acontecimentos foram surgindo foi o bastante para eu querer ler os outros livros (Lara que se prepare =D). Acho que Cornwell conduz a história com uma maestria impressionante e se eu, como escritora de fanfictions, escrevesse pelo menos com a metade da habilidade dele, eu seria uma ficwriter feliz e famosa.

Talvez seja por isso que os livros desse cara são meio [?] caros (se bem que existem livros mais caros também).

Mas é isso, por ora. Volto agora só amanhã e vou tentar voltar com alguma ideia mais legal que uma resenha de livro, porque eu acho que nem todo mundo gosta, não sei. Enfim…

Até breve (eu espero). õ/

 

Eu mato

Título Nacional: Eu Mato
Ano de Lançamento: 2010
Número de Páginas: 536 páginas
Editora: Intrínseca
Tradutor: Eliana Aguiar

Eu Mato, do escritor italiano Giorgio Faletti, narra a perseguição policial que se inicia depois que um assassino – identificado como Ninguém – liga para um programa de rádio chamado Voices para conversar com o apresentador desse programa, antes de cometer seus assassinatos.

Sinopse retirada do skoob:

Na obra ‘Eu Mato’, um agente do FBI e um detetive enfrentam um serial killer em Montecarlo, no glamoroso Principado de Mônaco. Trata-se do caso mais angustiante de suas carreiras – capturar o assassino que anuncia seus próximos alvos por meio de enigmas propostos em telefonemas para um programa de rádio, conduzido por um apresentador carismático. Para confundir a polícia, músicas são utilizadas como pistas dos crimes, cujas doses de barbárie e astúcia abatem e desnorteiam policiais, investigadores e psiquiatras. Os assassinatos, caracterizados pela frase ‘Eu mato’ escrita com sangue, são marcados por uma violência que não poupa nem mesmo a pele das vítimas

É um romance com um estilo narrativo diferente (embora não tãããão diferente assim) do que eu já vi até agora e que pode ser chato ou cansativo para quem não tem lá tanto costume, ou não goste de ler algo mais do que a ação simples e pura. Tem algo de análise interior de personagem (o que muitos devem chamar de intimista, se me lembro bem das aulas de literatura). O estilo é diferente de outros autores de livros que eu li, mas, em minha opinião, é similar ao que eu encontrei em alguns escritores de fanfiction que eu conheci (inclusive eu também uso um pouco disso nas minhas fics). Não acho que seja uma narrativa simples e isso pode atrasar o processo de leitura, mas com o tempo você se acostuma com as divagações do autor.

O livro não tem o início chato e perfeitamente detalhado. Apesar da parte mais filosófica que aparece logo de cara, o ritmo inicial da história não é tão ruim quanto em outros livros. De repente você se vê envolvido com a investigação e quer encontrar qualquer erro deixado pelo serial killer para ver se descobre quem poderia ser. Além disso, quem é esse cara? Alguém que já apareceu na narrativa, ou alguém que é só mais um na multidão de Monte Carlo, alguém comum que ninguém conseguiu perceber ainda? As possibilidades são muitas e na maior parte do tempo parece que as investigações não vão levar a lugar algum, mas acho que Giorgio Faletti soube conduzir bem o caso…

Acho que Eu mato é um bom livro para aqueles que gostam de vários tipos de gêneros envolvidos em uma narrativa. Não é focado só no drama, no suspense ou na ação, sendo que há uma mistura de gêneros (além dos já citados, existe romance também…). Quem gosta de livros de serial killer talvez goste bastante. E é bom para passar o tempo.

Minha humilde opinião é a seguinte: Eu gosto do enredo de um modo geral. Enquanto eu lia, pensei que o autor faria um péssimo desfecho, mas o autor soube conduzir bem os fatos. Tudo bem, não foi o melhor livro que já li, foi um pouco devagar, também não foi, pra mim, um daqueles em que você só consegue largar no final, mas a criatividade do autor é, sim, notável, apesar dos pesares (como diria alguém).

E não gosto dos personagens. Não acho que sejam do tipo cativantes (embora o Inspetor Morelli seja o meu personagem preferido nessa história). Ah, e tem o serial killer também. Ele faz uma carnificina bonita no livro e consegue colocar enigmas que acaba confundindo e intrigando os investigadores e, talvez por isso, o livro tenha sido satisfatório.

Mas de resto, é um bom livro. E eu nem vou comentar o final…

Eu, me sentindo na obrigação de dar uma nota, continuo um ser indeciso. Acho que eu daria um 8. Porque não é dos melhores, mas também não é dos piores. Não acho que eu joguei o dinheiro fora, mas talvez eu pudesse ter conseguido algo mais legal (algo como um livro do Cornwell, por exemplo – eu to puxa-saco do Cornwell, não liguem). Espero que tenham entendido o meu ponto de vista (que tá meio em cima do muro, mas é essa sensação que eu tenho desde que eu terminei o livro, por isso não escrevi resenha antes)…

Enfim, é isso.

Adultério para iniciantes

Autora: Sarah Duncan

Editora: Record

Páginas: 448

Isabel Freeman, ao voltar par a aInglaterra com a família, queria ser bem mais que a esposa exclusivamente dedicada à família. Claro que ela ainda ia cuidar dos filhos e do marido, Neil, mas ela queria um emprego. Estava cansada de ficar em casa sem fazer muita coisa da vida. Então ela consegue um emprego de meio-período. Não é grande coisa, mas ela ainda pode se dedicar aos filhos, da casa e ainda ganhar uma renda extra. O problema é que o chefe, Patrick, é completamente desorganizado, mas ainda sim bastante interessante. Isabel é lançada num torvelinho de desejos, lealdades e responsabilidades conflitantes, em cujo âmago está a questão angustiante – uma esposa adúltera pode ser boa mãe?

Estava eu olhando a página desse livro no skoob e ele não é um dos livros mais lidos – nem de longe. Então eu decidi que ia ser ele mesmo a ser resenhado hoje.

Vejamos. Primeiro de tudo, eu acho que devo dizer que eu realmente gostei do livro. O título chama a atenção – desde o primeiro dia que eu o vi na prateleira da Lara ele praticamente grita por atenção -, mas a capa não é das melhores (eu até que gosto do fundo vermelho, mas não gosto muito da imagem…) e acho que ele correspondeu às expectativas que eu tinha com relação a ele.

Trata-se de uma mulher infeliz no casamento, porque, apesar de tudo, ela está um pouco que seja infeliz, sim. Uma mulher que tem se dedicado aos outros e deixado a si mesma de lado, uma mulher que precisa ser o pilar de sustentação de uma família, com um casamento que já caiu na rotina e que parece ficar cada vez mais distante do famoso felizes para sempre “prometidos” pelos contos de fadas, pelos primeiros encontros amorosos (quando todo mundo quer impressionar e quando tudo ainda é um mar-de-rosas), que acaba se envolvendo com outro homem, mas ainda quer continuar sendo aquele pilar forte e invunerável dos Freeman.

É um livro que, não sei, dá pra fazer alguém ficar se perguntando de que é feito o relacionamento ideal, se vale a pena se arriscar com um caso extraconjugal (desculpem pela rima infeliz, mas acabou saindo), como os filhos ficam numa situação dessas, dá pra manter as duas vidas em separado? E mais algumas outras questões que possam ser formuladas a partir da situação da personagem.

O livro é narrado em terceira pessoa e escrito de uma forma bem divertida. Não existe nada de inovador na forma como a autora narra, mas dá pra imaginar direitinho a vida que Isabel e Neil levam, as situações que são colocadas e os sentimentos das personagens, tudo coerentemente relatado.

E por falar neles (os personagens), acho que eles são razoáveis. Quer dizer, são bem reais, com problemas, sonhos, desejos, estresse e todas essas coisas. E eu gosto da forma como a autora conseguiu desenvolvê-los, como ela os colocou dentro da narrativa e como ela os conduziu.

Não recordo agora algo de que eu possa reclamar (tanto que eu dei cinco estrelas para ele na avaliação do Skoob).

E não é nenhum incentivo ao adultério. Não é um livro destruidores de lares, como alguém pode pesnsar (sério mesmo que alguém pode pensa isso?). Eu encaro mais como uma retratação do que pode se tornar realidade se as pessoas forem alienadas demais para deixar o casamento ruir.

Pode ser difícil, tudo bem, mas não custa nada tentar.

Eu recomendo o livro. Não é nenhum conto de fadas moderno, bonitinho e meloso (aliás, o que acontece é exatamente o depois do casaram e viveram “felizes para sempre”), mas não deixa de ter romantismo, sim. E não deixa de ser legal, por isso.

Acho que é só (eu passo alguns dias sem escrever resenha de livros e acabo perdendo um pouco o jeito, eu sou um caso sério, eu sei). Até mais õ/