A Pirâmide Vermelha – Rick Riordan

Faz algum tempo que eu li esse livro, mas lembrei que tinha pensando em resenhá-lo. E já que, em véspera de prova, toda procrastinação é pouca, resolvi escrever alguns posts para publicar eventualmente (mais frequentemente que eventualmente, mas fica assim mesmo).

A Pirâmide Vermelha é um livro que lembra em parte a série Percy Jackson – afinal, estamos falando do mesmo autor. Mas não é só isso. Enquanto que em Percy Jackson vemos toda uma adaptação da mitologia grega para o mundo moderno, na série As crônicas dos Kane o foco está na mitologia egípcia e sua presença o mundo atual. Ou seja, mitologia para todos os lados!

Na obra “A Pirâmide Vermelha”, os irmãos Carter e Sadie Kane vivem separados desde a morte da mãe. Sadie é criada em Londres pelos avôs e Carter viaja o mundo como o pai, o Dr.Julius Kane, um famoso egiptologista. Levados pelo pai ao Bristish Museum, os irmãos descobrem que os deuses do Egito estão despertando. Para piorar, Set, o deus mais cruel, tem vigiado os Kane. A fim de detê-lo, os irmãos embarcam em uma perigosa jornada em busca que revelará a verdade sobre sua família e sua ligação com uma ordem secreta do tempo dos faraós.

Esse negócio de mostrar, trabalhar mitologia antiga nos tempos atuais em um livro voltado completamente para crianças/adolescentes – ou pelo menos essa é a ideia que eu tenho dos livros, não que eu, com meus vinte e tantos anos, me enquadre nessa categoria – é uma coisa que me conquistou desde o momento em que eu li a sinopse de O Ladrão de Raios. Porque, dentre as coisas que eu mais amo sobre história, além da idade medieval, está a idade antiga e todas as civilizações que viveram durante esse período. Eu lembro que eu tentei ler alguns livros do gênero – não tão do gênero assim, uma vez que era um romance que se passava no Egito de anos e anos atrás -, mas nitidamente voltado para adultos, quando eu tinha entre 12 e 14 anos e, apesar de eu não ter conseguido ler no prazo que a biblioteca me deu, eu nunca deixei de lembrar o quanto eu gostei da ideia.

Então quando eu peguei o livro para ler, apesar da minha desconfiança porque a pessoa que me emprestou afirmava categoricamente que o livro era melhor que Percy Jackson, eu fui contente por estar lendo algo com essa ideia de novo. E digo que não me decepcionei. É claro, teve um detalhe básico que me impediu de gostar do livro tanto quanto eu gostaria, mas, depois que você se acostuma com isso – se você se acostumar – vai estar tudo bem.

De modo geral, a história é boa. Apesar de ter elementos conhecidos dos leitores do Rick Riordan – crianças que descobrem um novo mundo mágico por trás de tudo o que conhecemos e o lance com segredos sobre eles mesmos dos quais eles foram protegidos até determinado acontecimento quando se percebe o quão impossível é continuar escondendo a verdade, e tudo o mais -, o fato de ser uma mitologia diferente, ambientação diferente e um enfoque diferente, torna esses detalhes ignoráveis. O modo como os acontecimentos vinham um após o outro também foi algo que contribuiu para a velocidade com que eu li o livro – eu terminei ele em dois dias, no máximo – e minha imersão na história. Foi uma leitura agradável, até certo ponto leve, porque não é possível ser leve quando se está correndo contra o tempo para se combater um vilão-deus-antigo, mas com aventuras o suficiente para que eu pudesse esquecer da internet e lê-lo avidamente.

O que eu não gostei, na verdade é uma faca de dois gumes. Porque é uma coisa interessante ler narrações em primeira pessoa alternadas – o Carter narra dois capítulos, a Sadie narra dois capítulos e então o Carer volta a narrar dois capítulos para a Sadie narrar mais dois em seguida e assim sucessivamente. Um dos meus livros preferidos da época em que eu ainda era uma rata de biblioteca sem saber que o era (sim, na minha famosa época entre 12 e 14 anos) foi justamente um livro meio que de comédia romântica com narrações de pontos de vista alternados. Mas acho que, como o Carter e a Sadie são adolescentes que têm mais ou menos a mesma idade, a coisa ficou um pouco confusa pra mim. Havia capítulos em que era a Sadie narrando, mas eu pensava que era o Carter – e isso foi uma coisa que me perseguiu até o segundo livro da série, eu fazendo essas confusões. Foi justamente esse detalhe que me fez acreditar por alguns minutos que o Carter estava apaixonado por um deus, enquanto era a Sadie que estava pensando sobre o “dito cujo”.

Talvez isso também tenha acontecido pelo fato de que eu estava mais preocupada em saber o que aconteceria a seguir em vez de ter uma leitura moderada.

De qualquer jeito, é um livro que eu recomendo aos que se interessarem pelos livros do Rick, ou por mitologia antiga, ou mesmo se só não se sabe exatamente o que ler a seguir. O fato de ter passagens que são engraçadas, além de que o Carter e a Sadie acabam se intrometendo na narração do outro e têm típicas brigas entre irmãos (ou tão típicas quanto dois irmãos como eles podem ter) são mais ótimos motivos. E, claro, as narrações feitas em primeira pessoa sempre dão vazão a um estilo mais descontraído de contar o que os dois tiveram que viver e fazer, com expressões, gírias e comparações que me fizeram soltar risadas que, como sempre, fizeram meus pais pensarem que eu tenho algum problema mental.

E se é para dar uma nota: Quatro sarcófagos de cinco (não resisti xD).

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Exaustivo e épico: A Guerra dos Tronos

Aproveitando que a Lara pediu que eu emprestasse meu livro “A Guerra dos Tronos” para ela, decidi que vou escrever uma resenha pra ver se ela consegue terminar de ler o livro – embora aparentemente ela não precise de qualquer incentivo. Isso tudo porque eu não queria que o buraco na minha estante permanecesse por muito tempo, sabe como é – e eu sei que ela entende esse sentimento… Que é uma coisa importante, veja bem, eu poderia estar falando de qualquer um dos livros que eu já li esse ano, mas vou falar de um que eu lembro em partes apenas com este propósito especial –q.

Então. Guerra dos Tronos é realmente bom. Epicamente bom. No entanto – e estou sendo sincera quando o digo – é um livro sacal. Você deve estar pensando como paradoxalmente essas duas qualidades existem no mesmo livro, mãs [!] é necessário um raciocínio simples para entender isso.

A Guerra dos Tronos é um livro de fantasia medieval que se passa em uma terra fictícia chamada Westeros e a história basicamente começa quando Eddard Stark, senhor de Winterfell, recebe a visita de Robert Baratheon, seu amigo e Rei dos sete reinos. Essa visita, além de permitir que os dois se reencontrem após um longo tempo, tem por objetivo um convite – Robert quer que Stark seja sua Mão (Mão do Rei), um cargo que possui funções semelhantes a de um conselheiro, embora exista um conselho nos sete reinos – nessa época do reinado do Rei Robert, dizem nos Sete Reinos que a Mão do Rei é quem governa, na verdade. E quando Eddard, vulgo Ned, aceita esse convite – influenciado pela suspeita de que algo podre estava acontecendo no reino -, ele mal sabe onde está se metendo.

É um livro chato, porque você demora pra ler. A fonte é pequena, as páginas são enormes, uma quantidade sem fim de páginas (imagina quando o terceiro da série chegar, com suas oitocentas-e-não-sei-quantas páginas) e é uma série que é densa, de modo que não pode ser contada em poucas páginas, não mesmo! Tem uma infinidade de personagens que eu não consigo lembrar com facilidade, muitos lugares que eu tive dificuldade pra aprender também… No início você não sente qualquer ânimo e a vontade que você sente é de largar mesmo. Pronto falei.

Eu levei em torno de seis meses entre estudos, provas, Guerra dos Tronos, animes, outros livros com uma fluidez melhor, provas e momentos vagantes na internet pra conseguir terminar de ler o primeiro livro. Foi uma saga meio cruel.

MAS – e esse mas precisa estar em letras maiúscuas – a leitura valeu a pena, não sei. Depois de determinado momento você se acostuma, se apega, se interessa, torce, reclama dos personagens, não mais da leitura em si – e tenho a impressão de que isso acontece quando se passa a ter um pouco mais de ação. Até chegar nesse momento em que você se empolga, tem que ser forte pra suportar o início cansativo – e eu sei que você vai conseguir fazer isso pacientemente se gostar de livros do gênero, talvez você não passe pela experiência de achar o livro chato, nunca se sabe.

Tudo bem que mesmo depois que eu me empolguei eu demorava três horas pra ler oitenta páginas, mas o ritmo depois melhora. Entre malas pra arrumar pro carnaval, saídas repentinas pra resolver alguns problemas, manicure caseira e a viagem em si, eu consegui ler em torno de oitenta páginas do segundo livro em um dia – tudo bem que eu me esqueci de colocar na mala coisas importantes, mas relevem. E em seis dias o dito cujo tinha sido completamente devorado. Acho que o tédio que foi o meu carnaval explica isso.

Pontos que eu acho positivos na série são: o fato de ser um universo completamente diferente do nosso, com personagens que são ao seu modo incríveis – okay, nem todos, existem muitos que são chatos como uma tarde escaldante sem nada útil para se fazer -, com momentos épicos, frases dignas de citação – não que eu lembre alguma agora além de “O inverno está chegando” -, intrigas, assassinatos a serem desvendados, segredos a serem protegidos, momentos indignantes e momentos em que você realmente lamenta. Além disso, o fato de cada capítulo ser narrado em terceira pessoa, mas sob a perspectiva de um personagem (que está indicado como se fosse o número do capítulo) torna o livro algo diferente e interessante.

Pontos negativos… eu diria que a fonte da letra, o início desestimulante e coisas que eu já mencionei, lugares demais, pessoas demais, além de uma dura lição que George Martin faz questão de ressaltar – algo que todos sabemos, de fato.

Aliás, Martin faz questão de ser bem realista em sua história, nas batalhas ou na vida cotidiana, não importa, ele mostra as coisas como as coisas são. Um livro de fantasia para adultos – é como ele define o livro.

Para aqueles interessados – ou não – tem também a série da HBO – okay, que todo mundo já deve ter ouvido pelo menos alguém falar – e que, sim, é uma excelente adaptação – e digo isso mesmo tendo visto só dois episódios. Alguns atores são diferentes do que eu imaginei, sim, existem coisas a serem criticadas, sim e muitas, mas longe de desagradar tanto quanto outras adaptações por aí. Creio que existe alteração de algumas coisas com relação ao livro, deve ter uma ou outra coisa que desapareceu, e uma ou outra coisa a mais (ou não tão a mais assim, não é, Loras e Renly? – porque pra mim eles dois são canon, ponto), mas acho que é uma interessante perda de tempo da vida.

Se eu tivesse que dar uma nota de zero a cinco para o livro: Cinco lobos gigantes.

Durarara!!

Esse é um anime que eu faço questão de resenhar e de ser bastante parcial.

Atualmente é um dos meus preferidos, sem sombra de dúvidas. Tem bons traços, a animação é boa, as músicas de abertura são ótimas, a parte visual é linda e, ao contrário do que eu estou acostumada (animes feitos a partir de mangás que não foram concluídos e que acabam tendo um frustrante final aberto), esse anime possuí uma linha de história bem definida e que possui um final. Bom, é claro que você sente um pouco daquele “E agora?” que se sente quando terminar algo em que você sabe que está faltando alguma coisa.

Mas Durarara!! é um anime que te conta uma história. E termina essa história. O que acontece depois você pode imaginar, mas há um desfecho para o que foi proposto e esse é o ponto que eu acho mais importante, mesmo que você ache que não tem exatamente um final.

Durarara!! Conta a história de Ryuugamine Mikado, um garoto de quinze anos, que morava no interior que vai morar em Tóquio, no distrito de Ikebukuro, após ter sido convencido pelo seu amigo, Kida Masaomi. Em seu primeiro dia na cidade, ele se depara com uma nova realidade, que parece absurda. Mas passando a viver em meio a tantas coisas esquisitas, ele se vê envolvido numa guerra de gangues envolvendo um motoqueiro sem cabeça, um Retalhador que controla as pessoas, um informante manipulador, um cara com força sobre-humana, um médico clandestino sem licença, um russo com sotaque carregado e que trabalha no “Sushi Russo”, e todas as bizarrices que puder imaginar.

Tecnicamente Mikado, Masaomi e a amiga deles, Anri, podem ser considerados como protagonista. Não se pode negar que há um bom foco neles, mas existe algo nesse anime que não te deixa identificar com precisão quem exatamente está protagonizando, porque simplesmente dá espaço para todo mundo e seus dramas. Uns mais que outros, isso é um fato. E acho que isso também deixa o anime bem mais interessante.

De início a coisa é bem confusa. Tive ímpetos de largar e o teria feito se… Bem, a motivação não importa, o que importa é que eu fui forte e resisti até pelo menos a metade – que é quando as coisas começam a se mostrar como verdadeiramente são (pelo menos boa parte delas). Acho que a maioria das pessoas desiste logo no começo por não entender nada logo de cara (e não só no primeiro episódio, como também no segundo, no terceiro, no quarto… quase não dá pra entender esse negócio). Mas, se serve de dica, é interessante você ficar montando teorias sobre tudo e todos e, depois, descobrir se todas suas teorias estavam certas ou não.

E, sim, é confuso, é cheio de coisas doentias, é sombrio, é bizarro, mas é incrivelmente legal.

Eu gosto muito dos personagens, acho todos ótimos. Desde o peste, vulgo informante manipulador, cujo nome é Orihara Izaya até a menina que se parece com a Hinata de Naruto, a Sonohara Anri, e que muitos podem considerar como a garota tímida e retardada (ou não, vai).

Minha dúvida mortal para escolher qual dos dois eu prefiro D8

Gosto também da trama, gangues de rua e uma motoqueira sem cabeça, basicamente, e da forma como ela foi trabalhada. É um anime cheio de reviravoltas que prende a atenção e de repente você está envolvido com a história. Comecei a assistir lentamente e em pouco tempo consegui terminar – apesar de saber que no final eu ia ficar toda “mimimi” por ter acabado.

Uma coisa ruim, além do que eu já falei sobre ser doentio, bizarro e sombrio é que com aquela coisa de trabalhar todos os personagens, nem tudo ficou perfeitamente “ok”. Quer dizer, teve quem reclamasse, mas acho que tudo condiz com o modo como a história foi sendo conduzida. Se fosse o contrário seria legal? Provavelmente sim. Mas é exatamente isso que faz Durarara ser Durarara (sombrio, doentio e bizarro – o que me leva a pensar que ele até entra um pouco na alma do blog, paradoxalmente legal).

Tem um total de 24 episódios, além de dois extras, se não me falha a memória (ou talvez seja mesmo só um e eu estou confundindo as coisas, não sei D8).

E é isso.

:3

Ps.: Obrigada pelos comentários, sério <33

O Andarilho

Título Nacional: O Andarilho
Ano de Lançamento: 2003
Número de Páginas: 461 páginas
Editora: Record
Tradutor: Luiz Carlos Nascimento Silva

Demorei para resenhar esse livro, mas espero que saía uma resenha, no mínimo decente. E também faz tempo que não resenho nada. Enfim.

Eu já fiz a resenha do volume um dessa série do Bernard Conrwell (O Arqueiro) e vou me ater aos fatos e opiniões do segundo volume, O Andarilho. Ou pelo menos assim espero, para evitar spoilers dos dois livros.

Primeiro de tudo, eu devo confessar que comecei a ler o livro bastante apreensiva, pelo fato de que alguns personagens novos – e outros nem tão novos, mas que não tiveram tanto destaque no primeiro volume – começaram a surgir. Então eu pensei que talvez já nem fosse ser tão interessante quanto o primeiro.

O que acontece é que quando pegamos uma série para começar a ler, vamos conhecendo todos os personagens praticamente ao mesmo tempo e acabamos, como dizer?, aceitando todo mundo de acordo com aquele contexto que nos é apresentado.

Mas essa série do Bernard Cronwell envolve “só” uma quantidade imensa de situações, lugares e, consequentemente, personagens. É praticamente impossível focar-se apenas nos personagens do volume um quando se tem novas coisas a serem exploradas.

Vou tentar não soltar spoilers a partir de agora, mas acho que talvez seja um pouco difícil, então é bom ter pelo menos uma noção do que acontece no livro um para se continuar lendo essa resenha.

Eis a sinopse:

O ponto de partida é 1346. A Inglaterra invadiu a França, e os escoceses dominaram os ingleses. Nessa época de guerras, somente um objeto, guardado por anjos e procurado pelos demônios poderia dar um fim à guerra: o Santo Graal. Quem estivesse de posse dele, sairia vitorioso da batalha. O arqueiro Thomas Hookham, orfão de pai, deixa a França e parte pra as Ilhas Britânicas em busca do Santo Graal e do assassino de seu pai. Thomas tem um trunfo que o auxiliará em sua procura: antes de morrer, seu pai lhe entregou uma espécie de diário com informações do esconderijo do artefato sagrado.

Bom, o estilo narrativo é o mesmo do seu antecessor (um estilo narrativo digno até dos meus delírios de quando eu estava doente). As batalhas continuam épicas e sangrentas, e, acho que já falei isso antes, mas não custa repetir: acho o modo como Cornwell narra até bem realista, sem muitos floreios desnecessários.

A história vai ficando cada vez mais interessante. Se eu achei o começo do livro chato, juro que não podia dizer o mesmo do meio, que dirá então do seu desfecho. Consegui superar o problema inicial com os personagens novos, porque aos poucos eles foram mostrando a que vieram, principalmente o Padre Inquisidor, Bernard de Taillebourg, que começa parecendo um padre maluco, mas depois se mostra um padre maluco com colhões.

Acho que nesse livro dá pra perceber o amadurecimento do personagem principal. Até mesmo pelo fato de que Cornwell não “passa a mão na cabeça dele” e faz com que tudo sejam flores na vida, porque não é assim que as coisas acontecem (ah, se a vida fosse fácil e bonita…). Acho que até fiquei surpresa com esse fato, já que isso quebra aquela certeza que sempre temos de que tudo acaba bem no final.

Bom, não era o final, mas…

Então é isso. No fim das contas, quando fechei o livro depois de ler a última página, tive certeza de que esse volume não deixava nada a desejar se formos comparar com o anterior.

Agora é só esperar pelo dia em que eu tiver a boa vontade de terminar A Guerra dos Tronos para começar a ler O Herege (que fique avisada, Lara, haha).

O Arqueiro

  • Autor: Bernard Cornwell
  • Páginas: 444
  • Tradutor: Luiz Carlos do Nascimento Silva
  • Editora: Record

Sinopse tirada do Skoob (porque eu sou terrivelmente preguiçosa):

Aos 18 anos apenas, Thomas vê o pai morrer em seus braços após um ataque-surpresa à aldeia de Hookton. Um lugar simples que escondia um grande segredo: a lança usada por São Jorge para matar o dragão, uma das maiores relíquias da cristandade. Em busca de vingança contra um homem conhecido apenas como Arlequim, o rapaz, um arqueiro habilidoso, se junta ao exército inglês em campanha na França, onde se envolve em batalhas e aventuras que, sem perceber, lançam-no na busca do lendário Santo Graal. Com este romance, o autor usa o cenário da Guerra dos Cem Anos para dar início a uma saga empolgante.

Peguei o livro pra ler há um mês, mais ou menos, e fui adiando e adiando o momento de pegar nele até que não me restou alternativa. Eu ainda tinha receio de ler livros do Bernard Cornwell e só superei isso depois de terminar O último reino (que eu resenhei AQUI), mas não sabia o que esperar da leitura, então eu ia enrolando, enquanto isso.

Pois bem. Cheguei ao final do livro hoje e, como eu acho que já estava esperando após O último reino, eu poderia descrevê-lo como épico.

É o início da aventura de Thomas, o primeiro livro de uma trilogia, narrado em terceira pessoa. Eu pensei que o início seria uma coisa chata, mas estava bem enganada, pois o começo já é bem movimentado, de modo que dá pra sentir o “gostinho” da ação logo de cara.

E então daí pra frente é só ação. Ou algo assim, porque as coisas são bem movimentadas para o jovem Thomas, que acaba virando um arqueiro, ao contrário do que o pai queria (que ele fosse padre). E então ele vai servir ao grupo de arqueiros de Will Skeat. O problema maior de alguém que carrega um arco enquanto anda por aí conquistando e saqueando cidades inimigas é que arqueiros são terrivelmente odiados em muitos lugares. Arqueiros não tem seu passado investigado para saberem se valem alguma recompensa (e mesmo que valessem), eles são simplesmente torturado e mortos, então a situação é complicada para um arqueiro e Thomas vai ter que lidar com isso, se quiser continuar fazendo o que gsota.

Passando para outros aspectos do livro, devo dizer que os nomes dos lugares são fáceis de lembrar, ao contrário de muitos outros livros que usam nomes mais complicados. Os nomes dos personagens também são bem simples até. O autor também usa muito de descrições, mas acho que já estou me acostumando com elas, de modo que eu conseguia imaginar perfeitamente todos os lugares (ou talvez não perfeitamente assim, mas vai saber).

As cenas de lutas são muito boas. Estômagos mais sensíveis talvez não gostem do modo como as coisas são retratadas (de um modo bem realista, eu diria), mas foi exatamente o modo um tanto quanto frio [?] de mostrar as coisas que deixaram tudo tão legal, com um clima bem medieval mesmo. Acho (eu costumo viajar quando estou lendo). Mas esse é o estilo do Cornwell, em minha opinião (depois de ler dois livros dele…).

Gostei também muito dos personagens (Thomas ♥). Às vezes parecia que eles eram palpáveis de tão humanos que eram. E acho até que a base histórica que o autor gosta de utilizar tenha favorecido esse aspecto. E o engraçado é que Cornwell escreve tão bem, que muitas vezes já me perguntei se os personagens descritos e seus feitos seriam reais. Para quem gosta de história antiga/medieval/ou-o-que-for acho que vai adorar.

Por outro lado, não tem muito romance, então quem gosta desse gênero e acha que só vai viver de amor talvez não goste.

E a forma como os acontecimentos foram surgindo foi o bastante para eu querer ler os outros livros (Lara que se prepare =D). Acho que Cornwell conduz a história com uma maestria impressionante e se eu, como escritora de fanfictions, escrevesse pelo menos com a metade da habilidade dele, eu seria uma ficwriter feliz e famosa.

Talvez seja por isso que os livros desse cara são meio [?] caros (se bem que existem livros mais caros também).

Mas é isso, por ora. Volto agora só amanhã e vou tentar voltar com alguma ideia mais legal que uma resenha de livro, porque eu acho que nem todo mundo gosta, não sei. Enfim…

Até breve (eu espero). õ/

 

Adultério para iniciantes

Autora: Sarah Duncan

Editora: Record

Páginas: 448

Isabel Freeman, ao voltar par a aInglaterra com a família, queria ser bem mais que a esposa exclusivamente dedicada à família. Claro que ela ainda ia cuidar dos filhos e do marido, Neil, mas ela queria um emprego. Estava cansada de ficar em casa sem fazer muita coisa da vida. Então ela consegue um emprego de meio-período. Não é grande coisa, mas ela ainda pode se dedicar aos filhos, da casa e ainda ganhar uma renda extra. O problema é que o chefe, Patrick, é completamente desorganizado, mas ainda sim bastante interessante. Isabel é lançada num torvelinho de desejos, lealdades e responsabilidades conflitantes, em cujo âmago está a questão angustiante – uma esposa adúltera pode ser boa mãe?

Estava eu olhando a página desse livro no skoob e ele não é um dos livros mais lidos – nem de longe. Então eu decidi que ia ser ele mesmo a ser resenhado hoje.

Vejamos. Primeiro de tudo, eu acho que devo dizer que eu realmente gostei do livro. O título chama a atenção – desde o primeiro dia que eu o vi na prateleira da Lara ele praticamente grita por atenção -, mas a capa não é das melhores (eu até que gosto do fundo vermelho, mas não gosto muito da imagem…) e acho que ele correspondeu às expectativas que eu tinha com relação a ele.

Trata-se de uma mulher infeliz no casamento, porque, apesar de tudo, ela está um pouco que seja infeliz, sim. Uma mulher que tem se dedicado aos outros e deixado a si mesma de lado, uma mulher que precisa ser o pilar de sustentação de uma família, com um casamento que já caiu na rotina e que parece ficar cada vez mais distante do famoso felizes para sempre “prometidos” pelos contos de fadas, pelos primeiros encontros amorosos (quando todo mundo quer impressionar e quando tudo ainda é um mar-de-rosas), que acaba se envolvendo com outro homem, mas ainda quer continuar sendo aquele pilar forte e invunerável dos Freeman.

É um livro que, não sei, dá pra fazer alguém ficar se perguntando de que é feito o relacionamento ideal, se vale a pena se arriscar com um caso extraconjugal (desculpem pela rima infeliz, mas acabou saindo), como os filhos ficam numa situação dessas, dá pra manter as duas vidas em separado? E mais algumas outras questões que possam ser formuladas a partir da situação da personagem.

O livro é narrado em terceira pessoa e escrito de uma forma bem divertida. Não existe nada de inovador na forma como a autora narra, mas dá pra imaginar direitinho a vida que Isabel e Neil levam, as situações que são colocadas e os sentimentos das personagens, tudo coerentemente relatado.

E por falar neles (os personagens), acho que eles são razoáveis. Quer dizer, são bem reais, com problemas, sonhos, desejos, estresse e todas essas coisas. E eu gosto da forma como a autora conseguiu desenvolvê-los, como ela os colocou dentro da narrativa e como ela os conduziu.

Não recordo agora algo de que eu possa reclamar (tanto que eu dei cinco estrelas para ele na avaliação do Skoob).

E não é nenhum incentivo ao adultério. Não é um livro destruidores de lares, como alguém pode pesnsar (sério mesmo que alguém pode pensa isso?). Eu encaro mais como uma retratação do que pode se tornar realidade se as pessoas forem alienadas demais para deixar o casamento ruir.

Pode ser difícil, tudo bem, mas não custa nada tentar.

Eu recomendo o livro. Não é nenhum conto de fadas moderno, bonitinho e meloso (aliás, o que acontece é exatamente o depois do casaram e viveram “felizes para sempre”), mas não deixa de ter romantismo, sim. E não deixa de ser legal, por isso.

Acho que é só (eu passo alguns dias sem escrever resenha de livros e acabo perdendo um pouco o jeito, eu sou um caso sério, eu sei). Até mais õ/

A Mão Esquerda de Deus

Autor: Hoffman, Paul
Editora: Suma de Letras
I.S.B.N.: 9788560280537
Número de páginas: 328

Trata-se da história de um garoto, Thomas Cale, que vive em um lugar chamado Santuário. Ele foi criado nesse lugar e lá aprendeu muito do que ele sabe. O Santuário é o lar dos Redentores, eles são uma espécie de sacerdotes que procuram crianças – meninos – para que, como Cale, possam ser criados ali.

As crianças crescem sob condições precárias (alimentação, moradia, vestimentas). São chamados acólitos e aprendem a lutar como se o Santuário fosse um grande campo de treinamento. Todo esse ensinamento quase que militar servirá para que esses jovens possam, no futuro, lutar contra os Antagonistas, que provavelmente são os grandes hereges os quais os Redentores querem eliminar do mundo.

E essa é a realidade naquele lugar. Os acólitos não podem fazer muita coisa sem que sejam severamente punidos (divertir-se, fazer amigos são algumas dessas coisas proibidas aos acólitos). Se eles fazem perguntas demais são castigados também. Se por algum motivo saírem um pouquinho da linha mais castigo e, se for o caso, um enforcamento pode vir a ser útil, servindo de exemplo para os outros.

Certo dia, Cale presencia algo repulsivo, o que o leva a agir impulsivamente movido pelo que parece certo e graças a isso ele deve fugir ou ele será transformado no próximo exemplo. Na fuga, ele acaba envolvendo mais dois acólitos. O único problema é que os Redentores não podem tolerar que um acólito fuja. Se forem pegos, serão usados como exemplo do mesmo jeito.

Essa é só a primeira parte da história. Tentei ao máximo não dar spoilers sobre o enredo, embora ache que acabei falando demais (ou não… não consigo decidir).

A Mão esquerda de Deus é o primeiro livro de uma trilogia. Os outros livros ainda não foram lançados no exterior e, por ser uma trilogia, o livro acaba de um jeito que pode parecer insatisfatório para alguns, mas achei que foi um final digno se comparado com a história toda.

Eu gostei bastante do livro. Não sei, talvez a capa tenha ajudado, mas eu achei que existe um clima sombrio ao longo da narrativa (principalmente quando o cenário é o Santuário) e o modo como às vezes esse clima acaba sendo modificado por elementos da história fazem a história ficar agradável, já que acredito que as pessoas não gostam tanto quanto eu desse tipo de “clima”.

A narração não me pareceu tão cansativa quanto eu pensei que fosse (quando eu olhei para o tamanho das letras eu pensei que a coisa seria bem chata), acabou sendo uma leitura até rápida, mas é preciso um pouco de paciência, sim. As introduções sempre são complicadas, os autores precisam explicar o contexto geral enquanto se encaminham para o enredo propriamente dito.

Os personagens são do jeito que eu gosto também. Cale está mais para anti-heroi (com hífen ou sem hífen?) que para mocinho bonzinho. Ele não teme a morte, ele não tem qualquer compaixão superficialmente e os sentimentos dele são meio que como um iceberg no mar (e eu gosto de comparações de coisas com icebergs, não me culpem), porque ele foi criado para ser assim, treinado para ser um guerreiro. Os outros personagens que apareceram também são bons e se não os menciono é por medo de dar algum spoiler.

Uma coisa que eu vi algumas pessoas comentando é com a semelhança que os Redentores possuem com fanáticos religiosos e eu até acho isso, mas não acredito que esse seja um problema para se desgostar do trabalho do autor. Digamos que é uma forma de ver as coisas, mas não a única.

E no fim das contas eu achei que o livro tinha de tudo um pouco (ou quase isso) romance, lutas, morte, sangue, perseguição, espiões, orgulho, mortes, estratégias militares, lutas… já falei em sangue? Pois é.

E acho que as opiniões podem divergir um pouco, mas ainda sim eu recomendo. Acho que vale o esforço gasto na leitura. Hahah.

É isso. ;D